O que fazer no momento de desligamento de um colaborador

O Momento do Desligamento de um colaborador pode ser difícil para todos. Saiba como deixá-lo mais humanizado nesse artigo escrito por profissionais de RH.

O processo de desligamento é um assunto delicado, requer cuidados e precisa ser bem conduzido para evitar repercussões negativas, tanto para empresa, como para o colaborador.

Uma das missões da área de Recursos Humanos é orientar e preparar gestores a utilizar procedimentos adequados para que o encerramento do contrato de trabalho seja feito de forma harmoniosa, humanizada e ética, evitando desgastes, ações e reclamações trabalhistas. 

Nestes anos de carreira já ouvi muitos relatos de clientes que contam como foi seu desligamento da empresa e ainda vejo que existem oportunidades para falarmos mais sobre este assunto. Ouvi de um cliente que transmitiu muita mágoa: “Vinte anos de empresa e fui desligado em menos de 2 minutos”. Outro disse com pesar: “Meu gestor jogou os papéis do desligamento na minha frente”. E, também, já escutei: “Fui desligado no dia do meu aniversário.”

Só quem já passou por isto sabe o que esta situação significa, é um momento de fragilidade e que requer muita empatia. Tratar o outro como gostaria de ser tratado é uma ótima orientação para começar.

Por outro lado, já escutei de vários gestores que precisaram efetuar desligamentos que não conseguiram dormir à noite, tamanha a importância e preocupação.

Dra Sueli Milaré (Coach), comenta: “O processo de desligamento, logicamente, deve ser o último recurso após todas as tentativas de impedi-lo, seja qual for o motivo. Feedbacks sinceros com acompanhamentos verdadeiros e disponibilização do gestor são imprescindíveis neste momento. Alinhamento de expectativas é outro recurso anterior ao desligamento. Minha experiência mostra que grande parte dos problemas entre gestor e colaborador é falta de comunicar e alinhar metas e objetivos, incluindo aqui comunicações transparentes sobre os resultados da empresa. Depois de realizadas todas as alternativas descritas, o colaborador vai entender verdadeiramente os motivos e provavelmente já estará preparado para o fato. Mesmo assim, introduza o contexto, fale de forma gentil e presencial, mostre respeito ao profissional, evidenciando os talentos daquele colaborador. Não deixe a informação do desligamento circular antes da comunicação ao colaborador.”

Desta forma o desligamento não deveria ser uma surpresa, já houveram sinais. Em algumas empresas o profissional é comunicado com um ano de antecedência, existe um acordo, um combinado. Vejo isto acontecer mais para cargos de confiança e gerenciais e o processo demissional acontece naturalmente. Mas tem muitos casos que isto não ocorre. Não tem sinais, não tem preparação e é nesta circunstância que os problemas podem acontecer.

Eliana Schmidt, Diretora de RH da Divisão de Veículos Comerciais da ZF, comenta: “Gestores devem fazer um bom gerenciamento do desempenho com feedbacks constates e periódicos. Evitando surpresas na hora do desligamento”.

Um outro aspecto que pergunto aos meus clientes é o que ele fez após o comunicado do gestor. Teve tempo para recolher seus pertences, se despediu dos colegas, como foi embora? Muitos não se sentem confortáveis para despedidas, as emoções estão à flor da pele. Este momento requer cuidados tanto por parte do empregado como do empregador. Trabalhei em RH por um bom tempo da minha vida e já vi colaboradores, após desligamento, irem para seu posto de trabalho e escreverem um e-mail um tanto quanto desagradável, expondo pessoas e a empresa. Já vi também, na hora da raiva, colaborador entrar na rede e deletar importantes arquivos. Uma boa parte das empresas cortam os acessos, simultaneamente enquanto está sendo comunicado. Fato que para muitos, causam mágoas, pois sentem que deram uma vida para a empresa e agora tratam ele como se fosse perigoso. Qual é a melhor forma? Como fazer um desligamento humanizado sem colocar a empresa em risco?

Luciana Teles, Gerente Executiva de RH da Continental, comenta: “É importante que o gestor tenha consciência de que o trabalho é uma área vital para a autoestima de boa parte das pessoas. Por isso, dar feedbacks constantes faz com que o profissional tenha a oportunidade de entender onde pode se desenvolver e isso é um passo para que ele possa, também após a demissão, buscar caminhos para o crescimento como profissional. No momento da demissão empatia é fundamental, seja qual for o motivo que levou ao desligamento.”

Um outro ponto que pergunto, é sobre o que fez quando chegou em casa. Contou para a esposa e filhos, como receberam a notícia? E este é um outro momento forte e triste para quem foi desligado. Já vi casos de profissionais que não tiveram coragem de contar, acordam no mesmo horário e saem como se fossem trabalhar.

Homens choram sim, mulheres também. Uma perda, uma mudança, nem sempre estamos preparados para isto. O nosso trabalho começa aí: ouvindo, acalmando e aconselhando. Usamos a Inteligência Emocional nessa hora, pois precisam sair pela porta da frente e continuar tendo boas referências profissionais.

Mirna Bartilotti, RH da Rhodia, dá importantes dicas: "Esse momento nada fácil, coloca muito em prática a parceria da liderança e o RH com temas ligados à comunicação, forma, enfim detalhes.” Ela salienta: “Faça o desligamento como se fosse a primeira vez. Passos devem ser pensados, repensados e rechecados. Foque no respeito à pessoa a ser desligada, no ambiente em que ela deixará de trabalhar e o futuro impacto que tudo isso poderá causar. E se possível, ofereça um serviço de outplacement como um item no pacote de saída, ajudando na recolocação, fator bastante positivo, muito apreciado e valorizado."

Explicar os motivos, oferecer ajuda verdadeira nesta hora é a dica do Neto Mello, Diretor de RH da KSPG. Neto comenta: “Independente dos motivos (baixa performance, justa causa, reestruturação) tem um Ser Humano aí e que merece consideração. Não foque na causa e sim daqui para frente. Mostre que existe caminhos e muitas possibilidades, ofereça ajuda para preparar e divulgar o currículo, por exemplo.

Uma coisa é verdade, com relação a este assunto, não há melhor dia. Todo dia será delicado, mas evite fazer às sextas-feiras, devido ao abalo na vida pessoal. Não há melhor horário. Qualquer horário que aconteça será desconcertante, mas acontecer logo no início do dia de trabalho é melhor. Não tem uma melhor forma, o impacto é forte, mas se for respeitoso, planejado, ético e humanizado com certeza será melhor.


Christianne Sauá Christianne Sauá Diretora Associada