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Liderança Feminina e o EHS em foco - Entrevista com Anemir Guimarães

Confira a entrevista exclusiva com Anemir Guimarães, Executive Manager de EHS, sobre liderança feminina, os desafios de 25 anos de carreira e o impacto do movimento MulherEHS no mercado industrial. Uma reflexão sobre propósito, coragem e o poder da rede de apoio.

O mês de março é, tradicionalmente, um período de reflexão sobre os avanços e os desafios da presença feminina no mercado de trabalho. Para encerrar este ciclo com chave de ouro, a We4You traz uma entrevista exclusiva com uma profissional que é referência em um dos setores mais técnicos e desafiadores da indústria: Anemir Guimarães, Executive Manager de EHS.

Nesta conversa, exploramos não apenas sua ascensão profissional, mas como a combinação entre competência técnica e a rede de apoio feminina pode transformar carreiras e setores inteiros.

Mas quem é Anemir Guimarães?

Com uma trajetória sólida e internacional, Anemir é Engenheira Química e de Segurança do Trabalho, com MBA em Gestão Ambiental e Mestrado em Modelagem e Simulação de Processos. Sua carreira foi construída na área de Gestão de Segurança, Saúde e Meio Ambiente (SSMA), com mais de 10 anos de experiência gerencial em sites produtivos de especialidades químicas e petroquímicas.

Além de sua atuação técnica, que inclui quatro anos de experiência internacional no México e fluência em inglês e espanhol, Anemir é reconhecida por sua versatilidade e orientação a resultados. Atualmente, ela também desempenha um papel fundamental como embaixadora do MulherEHS, um ecossistema dedicado a mulheres que buscam alinhar suas escolhas de carreira ao seu propósito de vida.

Confira abaixo essa entrevista inspiradora que possui como objetivo reforçar o poder da determinação feminina:

1.     O que te motivou a seguir esse caminho profissional?

Anemir: Morei na vila de Mambucaba, próxima à usina nuclear de Angra dos Reis, onde meu pai trabalhava nos projetos de construção. Desde cedo, tive um contato muito próximo com esse ambiente: na escola e na comunidade, éramos treinados em protocolos de emergência, e as visitas às usinas faziam parte da minha formação.

Essa vivência despertou em mim o interesse por ambientes industriais e pela responsabilidade envolvida nessas operações. Ao mesmo tempo, sempre fui movida por um propósito muito claro: cuidar de pessoas.

A área de Segurança, Saúde e Meio Ambiente me permitiu unir esse propósito a um ambiente técnico, desafiador e de impacto real. Saber que o meu trabalho contribui para que as pessoas voltem para casa seguras todos os dias sempre foi - e continua sendo - o que me motiva.

2.     Você imaginava chegar a uma posição executiva nessa área?

Anemir: No início, eu não tinha uma visão clara de chegar a uma posição executiva. Meu foco era fazer bem-feito, aprender e evoluir. Com o tempo, as oportunidades foram surgindo naturalmente, e fui assumindo novos desafios. A liderança, para mim, foi uma consequência da consistência e da paixão pelo que faço.

3.     Como você enxerga a evolução da presença feminina nesses espaços?

Anemir: Vejo uma evolução importante. Hoje, temos mais mulheres ocupando posições técnicas e de liderança em EHS, o que é muito positivo. Ainda não estamos onde poderíamos estar, mas já existe mais visibilidade, mais voz e mais referências femininas do que há alguns anos.

4.     Quais mudanças ainda são necessárias?

Anemir: Precisamos continuar avançando na construção de ambientes mais inclusivos e psicologicamente seguros. Além disso, é essencial ampliar o acesso a oportunidades, mentoria e desenvolvimento. Representatividade importa - quando uma mulher vê outra chegando lá, novos caminhos se tornam possíveis.

5.     Você já enfrentou barreiras por ser mulher? Como lidou com isso?

Anemir: Sim, em alguns momentos enfrentou resistência, questionamentos ou até a necessidade de provar mais. Lidei com isso com consistência, preparo e resultados - mas, principalmente, sem perder minha essência. Aprendi que não precisamos nos encaixar em um modelo: podemos liderar sendo quem somos.

6.     Que diferenciais as mulheres trazem para EHS?

Anemir: As mulheres trazem uma forte capacidade de escuta, empatia e visão sistêmica - competências fundamentais em EHS, especialmente quando falamos de cultura e comportamento. Também contribuímos significativamente para ambientes mais colaborativos e humanos.

Um dos grandes pilares na trajetória atual de Anemir é sua atuação como embaixadora do MulherEHS.  Idealizado e conduzido por Karen Volpato, este grupo nasceu como um espaço de acolhimento e aceleração, significando: Mulher + Emergir o talento + Humanizar os acontecimentos e relações + Superar todos os desafios. O foco é criar um ambiente  mostrando que quando uma mulher cresce, todas crescem juntas; quando uma mulher se sente segura, todos ao seu redor também estão mais protegidos. E quando uma mulher acredita em si mesma, a sociedade toda ganha com isso. 

7.     Qual a importância de iniciativas como o MulherEHS?

Anemir: Como embaixadora do MulherEHS, vejo de perto o impacto dessa iniciativa. Ela é fundamental para criar conexão, troca e desenvolvimento, fortalecendo a rede, ampliando a visibilidade e acelerando o crescimento das mulheres na área.

Mais do que isso, é um movimento para emergir talentos, humanizar as relações e superar obstáculos que ainda existem na nossa jornada. Idealizado e conduzido por Karen Volpato (@karenvolpato), o MulherEHS se consolida como um espaço de apoio, aprendizado e inspiração.

8.     Participar de comunidades faz diferença?

Anemir: Faz muita diferença. Comunidades ampliam o repertório, trazem novas perspectivas e criam oportunidades que dificilmente surgiriam de forma isolada. Além disso, fortalecem a confiança e o senso de pertencimento.

9.     Você percebe mudança na competição entre mulheres?

Anemir: Sim, vejo uma mudança positiva. Hoje, há mais colaboração e sororidade. Ainda existe espaço para evolução, mas cada vez mais entendemos que, quando uma mulher cresce, ela abre caminho para outras. A rede feminina tem se fortalecido de forma consistente.

10.  Que conselho você daria para outras mulheres?

Anemir: Meu primeiro conselho é: estudem continuamente. Precisamos estar sempre atualizadas, não apenas no nosso campo de atuação, mas também atentas às tendências e às mudanças do contexto.

O segundo é planejamento - em todos os aspectos da vida. Isso inclui, por exemplo, a preparação para a maternidade, considerando rede de apoio, carreira e saúde física e mental. E um ponto importante: não adiem demais a maternidade. Ser mãe é uma bênção.

Nem sempre conseguimos equilibrar tudo - às vezes, um prato cai. O importante é não temer esses momentos, mas ter coragem para se reerguer e seguir em frente.

Pergunta bônus:

Qual foi um momento em que você percebeu: “eu realmente cheguei aonde queria”? Anemir: Mais do que um momento específico, essa percepção veio quando entendi o impacto do meu trabalho nas pessoas e na cultura das organizações. E hoje, em transição de carreira, percebo que “chegar aonde queria” não é um destino fixo - é ter coragem de evoluir, se reinventar e continuar buscando propósito.

A trajetória da Anemir reforça uma mensagem poderosa: liderança não é um ponto de chegada, mas um processo contínuo de construção, aprendizado e reinvenção.

Em um cenário onde cada vez mais mulheres ocupam espaços estratégicos, histórias como a dela não apenas inspiram - elas abrem caminhos.

Encerrar o mês das mulheres com essa reflexão é também um convite: que possamos continuar fortalecendo ambientes mais inclusivos, colaborativos e conscientes, onde cada profissional tenha espaço para evoluir, liderar e gerar impacto real.

Porque, no fim, grandes carreiras não são construídas sozinhas - elas são resultado de propósito, coragem e das conexões que fazemos ao longo da jornada. Anemir, nós da We4You agradecemos imensamente a troca e parceria!

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